Viagem solo: um roteiro de autodescoberta

viagem solo

Sabemos que muitas pessoas se sentem inseguras quando se trata de viajar solo, mas há quem encare isso apenas como uma questão de saber desfrutar o presente do seu próprio jeito: para a Natália, é este o significado. O hobby sempre esteve presente na família da viajante, que desde muito nova cultivava as andanças com os parentes e amigos. Aos 15 anos, ela fez sua primeira viagem internacional como presente de aniversário.

“Ganhei a viagem para a Disney com um grupo de amigas. Meus pais perguntaram se eu queria festa ou viagem. Escolhi a segunda opção. Na verdade, eu queria ir para a França, mas não existiam pacotes de viagem para a
minha idade na época”, comenta.

As viagens continuaram, e aos 32 anos de idade, ela se questionou por que não viajava sozinha, já que cultivava constantemente a própria companhia em diferentes momentos. Com isso, decidiu dar início à sua primeira jornada indo para o Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Era uma das cidades que ela sempre quis conhecer, mas adiava por não querer ir sozinha.

A depressão e o autocuidado

No período de 2011 até o início de 2014, a viajante conta que passou por um momento delicado. Ela estava com depressão, e, em busca de sentir-se melhor, realizou uma segunda viagem solo para Foz do Iguaçu, no Paraná. O roteiro, realizado no carnaval, Natália não se sentiu bem devido às questões psicológicas que enfrentava. 

 “Não adianta você mudar de lugar, porque os sentimentos vão com você. Em 2014, entrei em um processo de cura e fui visitar sozinha uma amiga que mora em Austin, nos Estados Unidos. Passei dez dias de momentos muito
revigorantes por lá”, conta.

O período de cura se estendeu por mais alguns meses e a viajante se manteve firme em suas obrigações do cotidiano como o seu emprego de guia e historiadora para alcançar o objetivo de elevar a sua estabilidade financeira.

Desconfortos

Já não é surpresa que o assunto assédio sexual seja um tema recorrente, principalmente quando tratamos de mulheres que viajam sozinhas. A viajante relembra uma situação em que foi assediada por um taxista em Buenos
Aires, na Argentina.

“Quando entrei no táxi sozinha, o motorista perguntou de onde eu era. Quando respondi, ele perguntou se eu sabia o que o Brasil tem de melhor que a Argentina. Disse-me que eram ‘as praias e as mulheres, porque são mais quentes’. Naquele momento, senti um medo por estar sozinha”, comenta a viajante, que considera que o assédio não a desmotivou de continuar as viagens.

Durante cada viagem, as experiências são únicas e inesperadas. Até nos momentos de tensão, é importante levar como uma experiência de vida. Natália conta que já passou por muitas situações nas viagens em que ela precisou manter a calma e soube relevar tranquilamente. Confessa, porém, que não costuma lidar dessa forma em seu cotidiano.

Natália afirma que destreza é a palavra que descreve a forma como conseguiu resolver muitos de seus problemas. Desta forma, ela consegui vencer demais desafios, como quando sua mala foi extraviada em Frankfurt em uma
escala para Paris, na França.

“Eu e outra brasileira não encontramos nossas malas. Naquele momento, ela tentou pedir ajuda em francês, mas não adiantou muito. Em seguida, perguntaram quem falava inglês. Como eu domino a língua, fui conversar com eles, mas no fim a mala só chegaria no dia seguinte. Como eu já tinha viagem marcada para Bruxelas, passei o endereço de onde me hospedaria e continuei a viagem. Chegando na cidade, comprei algumas roupas e a mala chegou pouco tempo depois”, conta, com orgulho por ter lidado de forma segura com a situação.

“Quando voltei da viagem, estava impactada com o meu poder de me virar sozinha. Se eu vivenciasse isso no Brasil, talvez fosse ficar desesperada e ansiosa, mas lá eu tive que me manter no controle mesmo falando outra língua e sozinha, foi transformador”.

O momento é o agora

Aos 40 anos de idade e com uma bagagem imensa após conhecer 31 países nos últimos nove anos, a historiadora não para por aí: contou que pretende viajar duas ou três vezes por ano para o exterior e ainda desbravar mais países europeus. E revela que os lugares que mais ama são Paris, Buenos Aires, Dubrovinik, na Croácia, e Bucareste, na Romênia.

Quando se viaja sozinho, a liberdade é dominante e particular. Para ela não seria diferente, ainda mais sendo historiadora. Durante as viagens, Natália conta sem receio que passava mais de cinco horas em alguns museus cultivando cada parte da história da humanidade.

“Ficar cinco horas em um campo de concentração, quatro horas em Pompéia e em outros museus é algo íntimo para mim. Afinal, quem iria ficar esse tempo todo comigo? Os meus destinos são bem específicos, e ver a história
sobre o socialismo na minha frente e artigos pós-segunda guerra mundial foi um momento marcante”.

“Viajando sozinha me sinto mais forte e segura, além de adorar a minha companhia”.

Vá em frente

“Todo mundo deve viajar sozinho pelo menos uma vez na vida, você tem que experimentar mesmo que não goste. Não existe solidão na viagem, porque mesmo estando só, você está aberto a conhecer e ver muitas coisas ao mesmo tempo, sem contar nas amizades que você faz. A minha dica é: pense que será um tempo só pra você. Além de fazer tudo o que deseja e quer no seu momento, sem depender de alguém, você estará fazendo um exercício de autoconhecimento. Conhecer a si mesmo faz toda a diferença na sua trajetória”, finaliza Natália.

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