Viagem solo x Relacionamento: a conciliação do amor e a liberdade

amor e a liberdade

Quem nunca desejou viver um amor livre? Livre para ser quem somos, livre de julgamentos e, principalmente, livre de qualquer padrão limitante. Durante muito tempo, vivemos em uma sociedade onde o amor foi idealizado como aprisionamento, mas cabe a cada um de nós desconstruirmos esse significado por meio das nossas relações.

Uma dessas formas de liberdade que, infelizmente, ainda é tratada com algo incomum nos relacionamentos atuais é quando um dos lados, ou ambos, tem receio de que o parceiro viaje solo. Para muitos, viajar solo é mais que um momento de lazer, ou até mesmo uma opção por falta de companhia, mas é uma escolha rumo ao autoconhecimento, uma oportunidade de evolução. Dessa forma, requer compreensão e confiança dentro de um relacionamento.

De acordo com dados do Ministério de Turismo, 18% das mulheres preferem viajar sozinhas. Por outro lado, os homens correspondem a 12% desse índice. A tendência é que esse número cresça à medida que não só solteiros vivam esse tipo de experiência, mas também aqueles que estão inseridos em uma parceria afetiva.

Em sua individualidade, cada um tem suas escolhas e preferências e, por isso, trouxemos algumas histórias que nos permitem enxergar os diferentes ângulos do amor e a liberdade. Confira!

A transparência como chave do relacionamento

Nem sempre a primeira experiência de viagem solo ocorre de forma espontânea, partindo unicamente de sua própria vontade, foi o que aconteceu com Ariadny Theodoro, de 27 anos, que viajou sozinha pela primeira vez, pois, devido a um imprevisto, a sua ex companheira não conseguiu acompanhá-la. Nessa viagem, ela conta como ampliou a sua percepção sobre o mundo. Além disso, apesar do receio de estar em uma viagem solo pela primeira vez, teve a oportunidade de se autoconhecer.

Com o tempo, a experiência foi se repetindo, seguindo de questionamentos dentro do antigo relacionamento, até que o ciclo foi rompido. No entanto, sempre na certeza do que realmente queria para si, levando o fato de ser viajante solo como premissa básica de vida, Ariadny iniciou uma nova parceria afetiva.

“Eu sempre fui uma pessoa que prezou muito pela liberdade. Quando falamos de liberdade, as pessoas pensam que é somente viajar e sair sozinha. No entanto, liberdade também é quando compartilhamos a casa com alguém, a pessoa fica na sala assistindo um filme, já a outra quarto estudando e tudo bem. É não enxergar isso como algo negativo”.

Como uma apreciadora da solitude, Ariadny afirma que sempre foi muito transparente em suas relações. Dessa forma, falar sobre a sua necessidade de estar sozinha, assim como evidenciar o fato de ser uma viajante solo, era algo que sempre fazia quando conhecia alguém. “Para me conhecer, a pessoa não teria como passar fora disso. Obrigatoriamente, ela saberia que isso é uma premissa muito básica na minha vida”, complementa.

Atualmente, a viajante continua realizando e planejando novas experiências solo e relata ter ao seu lado alguém que a incentiva e compreende a importância disso em sua vida. Quando questionada sobre o que realmente faz a parceria ser efetiva, considerando pessoas que ainda sofrem desse dilema em seus relacionamentos, ela responde que transparência é a palavra-chave.

“O diálogo é fundamental, mostrar seus motivos e que a pessoa ouça o que você realmente busca em uma viagem solo. Se dentro desse diálogo acontecer uma experimentação, veja como a outra pessoa vai reagir. As pessoas precisam identificar se viajar solo é algo que vai acontecer só uma vez ou se fará parte da sua vida. Até que ponto vale nos limitarmos para agradarmos o outro?”, complementa a viajante.

Saiba o momento certo de romper vínculos

Dentro de um relacionamento, nem sempre ambos estão sempre na mesma visão, ou até mesmo começam a seguir por rumos diferentes. Então, é o momento de refletir seus ideais, padrões e, principalmente, saber o que é prioridade em sua vida. A publicitaria Lorena Vidal passou por isso em um antigo relacionamento, foi justamente em uma viagem solo que decidiu que era hora de viver um novo ciclo.

Depois de focar em guardar dinheiro para passar um tempo na Índia, destino que muito influenciou em sua decisão, Lorena conseguiu realizar a sua meta. Por outro lado, o seu ex parceiro também viajou para um destino diferente no mesmo período, foi então que os desencontros começaram a ficar mais evidentes. Com isso, o relacionamento foi finalizado. “Eu estava com vontade de viver novas experiências, pois a viagem aflorou isso em mim”, relata.

De acordo com a viajante, somente três meses depois do término, quando ambos retornaram para o Brasil, que conseguiram conversar pessoalmente. “Somente quando cheguei novamente no Brasil, que consegui constatar que mudamos muito a cada viagem que realizamos. Eu era outra pessoa totalmente diferente, assim como ele também havia mudado. Fomos de um jeito e voltamos de outro. No entanto, do jeito que retornamos, nosso relacionamento não encaixava mais”, relata ao recordar do rompimento.

Além disso, a Índia teve um papel fundamental na decisão de Lorena, pois, foi onde desenvolveu o seu autoconhecimento. “As experiências que vivi lá, da simplicidade, de como a felicidade é natural e não atrelada à bens, é inexplicável. Isso contribuiu para a decisão do término, foi uma mudança minha muito forte”.

Diante do seu posicionamento, ainda que tenha sido difícil no momento, a publicitaria soube a hora certa de se retirar. Para as mulheres que estão passando por relacionamentos limitantes, ela deixa um conselho: reveja, pois, só vivemos uma vez. Realmente vale a pena passar por isso? Reflita e, caso pense que sim, tudo bem. Por outro, se notar que é hora de mudança, lute por isso.

“Um exercício é começar com coisas pequenas, vai ao cinema, bar ou festa sozinha. Curta você mesma! Quando estamos sempre com o outro, passamos atrelar momentos divertidos a companhia da pessoa, mas não necessariamente é assim. Se você só faz algo legal com uma determinada pessoa, você vai acabar condicionando a acreditar que as coisas são legais porque você está com ela, só que nem sempre é assim”, finaliza com seu posicionamento inspirador.

A conversa efetiva é necessária para alinhar expectativas

A Coach de relacionamento Adriana Takamura evidencia a importância da conversa efetiva no relacionamento. No entanto, se ele ainda não iniciou, é preciso deixar claro seus princípios e valores logo no primeiro momento.

“Não vamos desconsiderar que a maioria da população ainda é machista. Se você está dentro de um relacionamento, certamente precisa entender a posição do outro nesse sentido. Então, é necessário escolher um parceiro que aceite essa posição e deixar claro desde o início”, comenta a especialista.

De acordo com Adriana, o fato de ser transparente de seus princípios no começo de um relacionamento, pode fazer com que conflitos futuros sejam evitados. “É possível compatibilizar a situação, caso ambos conversem desde o começo e entrem em um acordo do que abrir mão”, destaca mencionando a importância do diálogo entre o casal.

Por fim, a conciliação do amor e da liberdade acontece quando os padrões e princípios estão alinhados. O entendimento que o amor não é posse pode ressignificar relações. Saiba onde entrar, mas também análise quando fora a hora de sair. Afinal, independente do status de relacionamento, o mundo permanece à nossa espera.

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